Teste do novo Lifan X60

Lifan investe nos utilitários esportivos para definir sua "nova cara" no mercado nacional
Postado em |
Envie esta not�cia por e-mail Imprimir not�cia
A+ A-

Lifan quer usar o custo/benefício do utilitário esportivo X60 para crescer e aparecer no Brasil

por Michael Figueredo e Luiz Humberto Monteiro Pereira

Auto Press

Fotos: Michael Figueredo/Carta Z Notícias

 

A China é atualmente o maior mercado automotivo do mundo e sabe identificar as oportunidades globais. Entre as chances que vislumbram está o Brasil. Não por acaso, em outubro do ano passado, a chinesa Lifan decidiu assumir o controle de sua operação por aqui. O hatch 320 e o sedã 620, que eram comercializados pelo antigo representante da marca no país – o Grupo Effa –, deixaram de ser importados. Para definir sua “nova cara” por aqui, os chineses resolveram investir em um dos segmentos que mais crescem no mercado nacional: o de utilitários esportivos. E acabam de lançar o X60, que tem como rival declarado o compatriota Chery Tiggo e entra ainda no “miolo” da disputa entre Ford EcoSport e Renault Duster. Produzido em SKD – montagem final de veículos que chegam parcialmente desmontados – no Uruguai, o SUV segue a premissa básica dos carros chineses vendidos em território nacional. Ou seja, preço competitivo – R$ 52.777 – aliado a uma lista de equipamentos de série bastante completa.

O X60 sai da fábrica com ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica e coluna de direção regulável em altura. Há itens de conveniência como o sistema multimídia com tela de sete polegadas sensível ao toque com rádio/CD/DVD/MP3 e navegador GPS, além de conectividade Bluetooth e comandos no volante ou por controle remoto. A tela exibe ainda imagens da câmara de ré. Equipamentos de segurança, como duplo airbag e freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, também estão disponíveis de série. Não há opcionais oferecidos para o X60.

Por fora, a Lifan apostou em mesclar linhas sóbrias e elementos robustos, como os pronunciados arcos das rodas. A peça ganha mais destaque de perfil, principalmente na porção frontal, onde une-se às extremidades laterais do capô. Este, por sinal, é basicamente liso, a não ser pelos vincos que partem de cada um dos cantos do para-brisa em um ângulo oblíquo até o encontro com a ampla grade cromada onde reluz a logomarca do fabricante, que evoca três barcos com velas enfunadas – a palavra Lifan significa “veleiro forte” em mandarim. Os faróis trapezoidais “espichados”, as luzes indicadoras de direção logo abaixo, separadas da peça, e os faróis de neblina na parte inferior do para-choque constroem um visual agressivo. Na lateral, chamam atenção as vistosas setas nas carenagens dos espelhos e para a linha de cintura elevada e ascendente. Atrás, a simplicidade dos traços dá destaque ao spoiler e ao grupo ótico.

O utilitário esportivo da Lifan é maior que os principais rivais. Ganha do Chery Tiggo e do Renault Duster em todas as medidas e ainda é mais comprido e com maior entre-eixos que o Ford EcoSport. São 4,32 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,60 m de altura e 2,60 m de distância entre-eixos.

Debaixo do capô do X60, a Lifan colocou um motor 1.8 VVT – comando variável de válvulas –, de 16V. O quatro cilindros desenvolve 128 cv de potência a 6 mil rpm e torque de 16,8 kgfm a 4.200 rpm. Movido somente a gasolina, o propulsor é acoplado a uma transmissão manual de cinco velocidades – ainda não há disponibilidade de câmbio automático. A suspensão é independente nas quatro rodas, do tipo McPherson na dianteira e com braços triplos na traseira.

A Lifan atua em 165 países, tem sete unidades industriais fora da China e é a segunda maior fabricante chinesa em volume de exportações – perde apenas para a Chery. No Brasil, quer vender 400 unidades mensais do X60 até o final do ano. Ainda em 2013, devem ser apresentados também a picape Foison e o sedã 530. E a rede deve passar das atuais 25 concessionárias para 50 pontos de vendas. Até o final de 2014, a fábrica uruguaia passará a produzir em CKD – montagem final de veículos que chegam totalmente desmontados – e irá elevar sua capacidade produtiva para 40 mil unidades/ano. Está prevista a instalação de uma fábrica de motores na mesma planta. A Lifan está muito bem informada sobre o “caminho das pedras” do mercado brasileiro. Tanto que acena com a possibilidade de construir uma fábrica no Brasil, para também aproveitar os benefícios fiscais do Inovar-Auto.

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.8 16V de 128 cv não tem dificuldades para mover os 1.330 kg do Lifan X60. Inicialmente ele entrega pouco torque em baixas rotações, mas depois das 2.500 rpm o propulsor “acorda” e passa a oferecer boa dose de força. As retomadas em alto giro são convincentes e a frenagem é ágil. O câmbio é bem escalonado e não deixa “buracos”. Nota 7.

Estabilidade – O ajuste da suspensão do X60 é bastante macio e o modelo é alto. Tal combinação usualmente compromete a estabilidade. Quando se tenta fazer curvas mais velozes, a carroceria do X60 aderna. Nas retas, o carro não dá grandes sinais de flutuação e transmite sensação de segurança, inclusive quando é freado. Nota 7.

Interatividade – Ao entrar no X60, a boa visibilidade para a frente e para os lados chama logo a atenção. Porém, ao olhar pelo retrovisor interno, a coluna traseira atrapalha. O volante é ajustável somente em altura. Os comandos têm fácil acesso e são intuitivos e a tela de LCD que controla o sistema multimídia oferece boa definição, exceto quando recebe a luz solar – que dificulta sua visualização. O câmbio parece, a princípio, um tanto “borrachudo”, mas os engates são razoavelmente precisos. As informações do painel são bastante claras e organizadas. Nota 7.

Consumo – O X60 não tem computador de bordo e o InMetro não avaliou o Lifan X60. A fabricante fala em um consumo médio de 12,2 km/l. Mas o utilitário fez 7,3 km/l durante o teste, em ciclo combinado. Uma discrepância muito grande. Nota 5.

Conforto – O conforto foi o aspecto privilegiado pela Lifan na preparação do X60. Destaque negativo é o isolamento acústico. Aos 120 km/h o barulho invade a cabine – tanto do motor, quanto do vento. O utilitário oferece ampla área geral, suficiente para que cinco pessoas viajem sem apertos. Nos assentos da frente, a condição é ainda melhor e sobra espaço para pernas, ombros e cabeça. Mas os bancos traseiros, que são reclináveis, também não fazem feio. A suspensão macia não transfere maiores impactos para o interior e as imperfeições pouco são sentidas dentro do carro. Nota 7.

Tecnologia – O X60 é bem equipado. Itens como airbag, os triviais ar-condicionado e trio elétrico, além de sensor crepuscular, freios ABS e central multimídia com navegador GPS estão presentes. No entanto, não conta com computador de bordo. O motor 1.8 da Lifan, apesar de recursos como cabeçote multiválvulas e comando duplamente variável, rende módicos 128 cv. Nesse genero de modelo, uma opção de câmbio automático – prometida para breve – seria desejável. Nota 6.

Habitabilidade – Há uma quantidade generosa de porta-objetos, no console central e nas portas. O que se esconde abaixo do apoio de braço é amplo, assim como o porta-luvas. Há dois porta-copos bem acessíveis perto da alavanca do câmbio. A capacidade do porta-malas é apenas razoável, de 405 litros, mas cresce bastante com o banco rebatido. O ângulo de abertura das portas é bom e facilita a entrada na cabine. Nota 8.

Acabamento – O couro bege dos bancos e dos forros agrada ao toque e aparenta boa qualidade. O mesmo não acontece com algumas peças de plástico cromadas. Como nas maçanetas internas, que passam a sensação de fragilidade – além de destoarem do interior. Já as partes que imitam metal escovado são de bom gosto. Os plásticos utilizados no acabamento do painel são rígidos e não foram observadas rebarbas – apenas algumas frestas maiores que o desejável. Nota 6.

Design – A sobriedade das linhas resulta em um conjunto que agrada. Na frente, a volumosa grade e os pronunciados arcos de roda contribuem para a robustez do X60. O desenho da traseira, com a tampa do porta-malas descendo em diagonal, aumenta essa impressão. A Lifan optou corretamente pela simplicidade. Mas as linhas são pouco criativas e dão um aspecto antigo ao modelo. Nota 7.

Custo/Benefício – O Lifan X60 custa R$ 52.777. Uma curiosidade: a opção pelo final 777 foi para remeter à logomarca da Lifan, que parece um 777 de cabeça para baixo (bem que poderiam ter escolhido 111, que teria a mesma simbologia.). Nessa faixa, fica poucos reais abaixo do Chery Tiggo, rival direto, que custa R$ 52.900 e oferece menos equipamentos. Além disso, as versões intermediárias de Renault Duster e Ford EcoSport, que contam ainda com o prestígio de suas marcas, oferecem itens similares e cobram preços quase 10% acima – R$ 56.150 e R$ 57.900, respectivamente. A garantia de cinco anos da Lifan é um aspecto positivo. Nota 8.

Total – O Lifan X60 somou 68 pontos em 100 possíveis.

 

Primeiras impressões

por Michael Figueredo

Auto Press

Salto/SP – Um dos principais objetivos dos utilitários no mercado é causar impacto visual. E isso, o Lifan X60 consegue. O carro não ostenta linhas que o elevem a um patamar diferenciado pelo design, mas o porte robusto – mais até que alguns rivais – cumpre bem esse papel. Por dentro, as medidas maiores se refletem em excelente espaço em todas as áreas da cabine. Na frente, há bastante espaço para as pernas e não há sensação de aperto para a cabeça nem para os ombros. A ergonomia também é boa, apesar de a coluna de direção oferecer ajuste apenas de altura. E a visibilidade é excelente, tanto frontal quanto através dos generosos retrovisores.

A conquista pela dinâmica ainda é uma carência dos carros chineses e o X60 também sofre disso. O pedal da embreagem é um pouco mais rígido que o desejável. Ao engatar a primeira marcha, o câmbio parece ser impreciso, mas as seguintes entram com facilidade, apesar do aspecto um tanto frágil da alavanca. A partir dos 2.500 giros, o carro supera a morosidade inicial e surpreende. As relações são bem escalonadas e o veículo ganha bastante agilidade.

Se o X60 não é tão bom de arrancadas, a coisa muda quando a velocidade já está elevada. O carro parece quase sempre estável – e a sensação de segurança poderia ser maior se a direção não se mantivesse tão leve acima dos 90 km/h. Quando a velocidade sobe ainda mais, a partir dos 120 km/h, o ruído do motor invade o habitáculo. Já o freio é eficiente quando acionado e para o carro rapidamente, sem desvios de trajetória.

A suspensão absorve bem as imperfeições e o volante não recebe impactos. O acabamento do interior até agrada no conjunto, exceto por alguns detalhes parecem fora do lugar – caso dos cromados das maçanetas e os controles do ar-condicionado. Contudo, o X60 até consegue cativar, principalmente pelo conforto. Durante o teste, mostrou que é possível dirigi-lo por cerca de três horas sem que o corpo comece a “reclamar”. Se ainda há o que melhorar, os veículos chineses pelo menos parecem estar no caminho certo.

 

Ficha técnica

Lifan X60 1.8 16V

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.794 cm³, quatro cilindros, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas. Injeção eletrônica. Acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré.

Potência máxima: 128 cv a 6 mil rpm.

Torque máximo: 16,8 kgfm a 4.200 rpm.

Diâmetro e curso: 79,0 mm X 91,5 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.

Aceleração 0-100 km/h: 11,2 segundos.

Velocidade máxima: 190 km/h limitada eletronicamente.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira independente com braços triplos.

Pneus: 215/65 R16.

Freios: A disco na frente e atrás. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Utilitário esportivo com quatro portas e cinco lugares. Com 4,32 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,60 m de altura e 2,60 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.

Peso: 1.330 kg.

Capacidade do porta-malas: 405 litros.

Tanque de combustível: 55 litros.

Produção: San José, Uruguai.

Lançamento no Brasil: 2013.

Itens de série: Ar-condicionado, retrovisores, vidros e travas elétricos, direção hidráulica, sensor crepuscular, coluna de direção regulávem em altura, central multimídia com tela de sete polegadas sensível ao toque, com rádio/CD/DVD/MP3/Bluetooth, navegador GPS, câmara de ré, sensores de estacionamento, bancos revestidos em couro, luzes diurnas de led, airbags frontais, ABS e EBD.

Preço: R$ 52.777.

100 respostas a Teste do novo Lifan X60
  1. SAUL APARECIDO DA SILVA disse: 22 de maio de 2013 às 19:22

    FICOU MUITO BONITO E DESPERTOU MEU INTERESSE EM TER UM.

  2. sergio disse: 22 de maio de 2013 às 21:04

    Eu quero um, é muito bonito.

  3. kattia Martins disse: 30 de maio de 2013 às 22:34

    Ele é lindo ,e vou comprar um em breve se Deus abençoar!!!

  4. WAGNER JORGE DAVID disse: 4 de junho de 2013 às 22:53

    GOSTEI DO CARRO , COM CERTEZA VOU COMPRAR O LIFAN X60

  5. WAGNER JORGE DAVID disse: 4 de junho de 2013 às 22:54

    ADOREI O CARRO , QUERO COMPRAR UM COM CERTEZA

  6. luis Carlos disse: 10 de junho de 2013 às 15:33

    Gostei muito do carro. Me parece que veio pra ficar.

  7. eliezer jorge cerqueira silva disse: 12 de junho de 2013 às 21:04

    Estou fascinado pelo x60; acho o carro muito lindo e em breve vou ter um.

  8. Sérgio disse: 29 de junho de 2013 às 15:28

    Falta o cambio automático.
    Se tivesse eu embarcaria.

  9. Cipriano Neto disse: 25 de outubro de 2013 às 14:18

    Aqui em Maceió existe uma concessionaria LIFAN, no entanto o proprietário foi preso por sonegar impostos (vejam o link abaixo) http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2013/08/esquema-teria-movimentado-cerca-de-r-300-milhoes-diz-pf-de-alagoas.html
    Quem tem interesse nesse veiculo, que aparentemente é muito bom, mas o pessoal está com receio pois esse mesmo pessoal perdeu a franquia da KIA MOTORS por caisa de problemas com a fábrica.
    Fica o aviso para quem for da terra.

Posta um novo coment�rio

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>