Nissan Altima é testado no Arizona/EUA

Com chegada ao Brasil agendada para o fim do ano, Nissan Altima exibe seus atributos no Arizona
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O modelo vendido no Brasil terá um motor de quatro cilindros e 2.5 litros com 182 cv, acoplado a um câmbio de relações continuamente variáveis (CVT), batizado Xtronic. 

Nissan Altima

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

Auto Press

Fotos: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

 

O novo Altima representou um golpe certeiro na briga dos sedãs médios norte-americanos – modelos que aqui são chamados de médio-grandes. Apresentada no ano passado, a quinta geração do três volumes da Nissan conseguiu encostar nos eternos líderes de vendas nos Estados Unidos – Toyota Camry e Honda Accord. E deixou para trás concorrentes como Ford Fusion, Chevrolet Malibu, Hyundai Sonata, Kia Optima e Volkswagen Passat. Encontrará os mesmos adversários quando chegar ao mercado brasileiro, no último trimestre desse ano. Mas em circustâncias bem diferentes. Por aqui, sedãs do porte do Altima estão longe de ser “best-sellers” – posto reservado aos hatches compactos no mercado local. O médio-grande mais comercializado no país, o Ford Fusion, não está sequer entre os 50 primeiros no ranking nacional de vendas. No Brasil, tais veículos funcionam como “carros de imagem”, responsáveis por reforçar o “status” das respectivas marcas – e, de quebra, ajudar a vender mais e mais compactos.

No mercado nacional, a Nissan produz no Paraná a picape média Frontier e os monovolumes Livina e Grand Livina. E ainda importa do México o sedã médio Sentra – a nova geração deve chegar ao Brasil no final do ano, junto com o Altima –, o sedã compacto Versa e o hatch compacto March. Os dois últimos já têm produção confirmada  para a unidade industrial que a marca irá inaugurar em 2014 na cidade de Resende, no Sul do estado do Rio de Janeiro. A atual linha de produtos no país deixa evidente que a marca carece de um modelo que represente a excelência tecnológica materializada em veículos que vende no exterior, como o esportivo GT-R, o utilitário esportivo Pathfinder ou o hatch elétrico Leaf. Essa será a missão do Altima, que fez sua “avant-première” nacional na última edição do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, em outubro do ano passado.

Para uma função tão estratégica, o Altima tem lá seus predicados. Para os padrões brasileiros, é um sedã imponente. São 4,86 m de comprimento e 1,83 m de largura, com formas robustas. O desenho externo traz referências aos esportivos da Nissan, como o 350Z – o que inclui linhas mais fluidas, que melhoraram a aerodinâmica. Os faróis trapezoidais remetem vagamente ao formato de bumerangues, com vincos pronunciados. Atrás, as lanternas seguem padrão estético similar.

O Altima perdeu 13% do peso em relação à geração anterior, graças ao uso de materiais mais leves. A suspensão dianteira permanece McPherson com barras estabilizadoras, mas a traseira passou a ser a mesma utilizada nos modelos da Infiniti, marca “premium” da Nissan. O objetivo é oferecer um balanço mais eficiente entre bem-estar e comportamento dinâmico. O modelo vendido no Brasil terá um motor de quatro cilindros e 2.5 litros com 182 cv , acoplado a um câmbio de relações continuamente variáveis (CVT), batizado de Xtronic. Nos Estados Unidos, há também um motor V6 de 270 cv, com um CVT que conta até com modo manual de acionamento de seis marchas simuladas através de “paddle shifters” atrás do volante – mas essa versão não será trazida para o Brasil. A versão de acabamento será a “top” SL.

A lista de equipamentos do Altima traz “gadgets” como o RearView Monitor, que oferece visão externa por câmara; o Blind Spot Warning (BSW), que evita pontos cegos; o Lane Departure Warning (LDW), auxiliar para avisar mudanças de faixas por distração; e o Moving Object Detection (MOD), que detecta objetos em movimento próximos ao veículo. Já a proposta do Adaptive Control Shift (ACS) é reconhecer o estilo como o motorista acelera e selecionar a relação ideal do câmbio para as condições específicas. Por dentro, os bancos usam a chamada espuma “com memória”, desenhados para permitir uma melhor circulação sanguínea dos passageiros. No painel, o Nissan Connected integra o GPS, conexões Bluetooth e o sistema de som numa mesma tela de 7 polegadas.

O carro virá da fábrica do Tennessee, nos Estados Unidos, mas há possibilidades de que futuramente ele passe a ser produzido também no México – o que poderia melhorar ainda mais o potencial de negócios do modelo no Brasil. De qualquer forma, a Nissan ainda não anunciou o preço que o novo sedã terá no mercado nacional. Certamente estará bem próximo dos concorrentes diretos com motores de quatro cilindros. Atualmente, todos se posicionam na faixa em torno dos R$ 100 mil.

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 2.5 litros de 182 cv , acoplado a um câmbio de relações continuamente variáveis CVT suave e sensível, dá conta de mover o Altima com um desempenho consistente, sem grandes exageros. Pisadas vigorosas no acelerador não resultam em “coices”, mas em uma racional aceleração progressiva. O modo Sport empresta um pouco mais de esportividade ao conjunto ao atingir rotações mais elevadas quando o motorista acelera rapidamente, com resposta mais imediata ao pedal do acelerador. A transmissão é eficiente e adaptativa. De acordo com o estilo de condução do motorista, o Adaptive Control Shift muda sua programação. Nota 8.

Estabilidade – O Altima é um automóvel que preza bastante pelo conforto. O que se traduz em um ajuste de suspensão mais macio. Mas o conjunto suspensivo se revela bastante eficiente e consegue conciliar conforto com um bom comportamento nas curvas em alta. A suspensão traseira multilink ajuda a conferir um comportamento dinâmico surpreendente ao sedã. Nota 9.

Interatividade – Os ajustes de banco e volante são precisos e o volante tem boa pegada. O painel de instrumentos é de visualização fácil. Tanto a visibilidade frontal quanto a retrovisão são corretas. A direção com assistência hidráulica eletrônica (EHPS) oferece manobras suaves da direção em altas velocidades e requer baixo esforço ao estacionar o veículo. O posicionamento dos comandos segue um padrão eficiente e racional. Nota 8.

Consumo – Por indiscrição do InMetro, foi divulgada em janeiro uma tabela de consumos médios de carros que ainda serão lançados no Brasil. O Altima, com motor 2.5 litros e transmissão CVT, registrou um consumo médio de 11,1 km/l. Nota A dentro de sua categoria e B no geral. Nota 9.

Conforto – O três volumes da marca japonesa é um daqueles carros que dá para dirigir durante um bom tempo sem cansar. Os bancos frontais – batizados de “gravidade zero” pelo marketing da Nissan –  são efetivamente confortáveis. A suspensão absorve bem os eventuais buracos e o isolamento acústico afasta os barulhos externos. Quatro pessoas viajam de maneira bem relaxada. Uma quinta já não deixaria os outros dois de trás tão à vontade. Nota 8.

Tecnologia – A lista de equipamentos do Altima vai além do que espera em um carro deste segmento. Incorpora sistemas como visão externa por câmara, sensor pontos cegos, aviso de mudanças de faixas por distração e sensor de objetos em movimento próximos ao veículo. O Adaptive Control Shift reconhece a velocidade, como cada motorista acelera e suas escolhas na condução e seleciona a relação ideal para as condições específicas e intenções do motorista. Aliada a ele, o engenhoso câmbio Xtronic CVT trabalha para manter a rotação do motor reduzida durante conduções em altas velocidades, o que minimiza ruídos. O moderno trem de força é da linha que a Nissan denomina “Pure Drive”, que prioriza maximizar a eficiência energética para obter baixo consumo de combustível e a redução nas emissões. Nota 9.

Habitabilidade – Não há exagero de porta-objetos no interior do Altima, mas os dois porta-copos do console central acabam fazendo a função de abrigar carteira, celular e chaves. Para guardar outras coisas, há ainda o compartimento sob o apoio de braço. Há espaço generoso para os passageiros dos bancos frontais, mas na traseira o caimento na traseira reduz um pouco o espaço para a cabeças dos mais altos. O porta-malas leva somente 436 litros – volume modesto para um sedã desse porte. Nota 8.

Acabamento – O interior do Altima traz um acabamento de bom padrão, com materiais de refinados e de aspecto elegante. Os bancos e o volante são revestidos de couro de boa textura. Apliques aluminizados reforçam o requinte do ambiente. Nota 8.

Design – Suas linhas  harmônicas criam um conjunto sóbrio, com um inconfundível toque de racionalidade típico dos automóveis japoneses. Mesmo sem maiores ousadias, consegue parecer bem contemporâneo. Nota 7.

Custo/benefício – Nos Estados Unidos, a versão SL do Altima com motor 2.5 com o nível de equipamentos do modelo testado custa cerca de US$ 30 mil, aproximadamente R$ 62 mil. Itens como ar-condicionado, partida por botão e controles de tração, estabilidade e todo o arsenal de airbags vêm de série. Mas a Nissan ainda não confirmou o preço que o Altima terá quando for lançado no Brasil, o que está previsto para o último trimestre desse ano. Se  quiserem efetivamente incomodar o Ford Fusion, que lidera o segmento, imagina-se que o preço fique abaixo dos R$ 100 mil. Sem nota.

Total – O Nissan Altima somou 74 pontos em 90 possíveis – ou 82% da pontuação máxima possível.

 

Primeiras impressões

Scottsdale/Estados Unidos – O Altima – se pronuncia “áltima”, como um proparoxítono –  foi inicialmente testado no Arizona Test Center (ATC), em Stanfield, Arizona, em pleno deserto norte-americano. Criado em 1987, o único campo de provas da Nissan nos Estados Unidos reúne pistas de durabilidade, conforto e aquaplanagem, entre outras, rodeadas por um circuito oval tem mais de 9 km de extensão. Depois da intensa avaliação no campo de provas, foi a vez de rodar nas estradas da periferia de Phoenix, capital do estado. E também pelas ruas repletas de mansões da requintada Scottsdale, classificada como um dos principais destinos de golfe do mundo.

A avaliação no campo de provas permitiu que fossem experimentados alguns dos sofisticados sistemas oferecidos pelo modelo. Como a visão externa por câmara, o sensor pontos cegos, o sistema de aviso de mudanças de faixas e o sensor de objetos em movimento próximos ao veículo. Ao variar o estilo de direção, foi possível perceber claramente o trabalho do Adaptive Control Shift, que reconhece como cada motorista acelera e adota a relação ideal para as intenções do motorista. Nas curvas de alta velocidade do circuito, também foi possível perceber o eficiente trabalho da suspensão traseira multilink. E também a atuação do sistema eletrônico ACS atua nos freios e no controle de tração para evitar subesterços e dar maior precisão ao conjunto. Tudo de forma extremamente discreta e elegante.

A resposta do motor aos comandos do acelerador é boa, mesmo sem oferecer uma “pegada”  esportiva. A transmissão CVT retarda ligeiramente a entrega de torque, mas a força aparece logo. Para extrair o máximo do motor é melhor usar o modo DS – Drive Sport –, que permite uma aceleração mais agressiva do que o modo Drive e cria uma sensação de mudança de marcha quando o motorista acelera rapidamente. Embora o som do motor 2.5 aliado ao CVT não seja dos mais instigantes, ele faz o que se espera de um quatro cilindros desse porte – maiores doses de esportividade certamente estão reservadas para a versão V6, que não virá para o Brasil. Em velocidades de cruzeiro, o overdrive faz com que a transmissão alongue ao máximo a relação para poupar combustível e o trem de força. A direção do 2.5 é focada no conforto e bastante suave, mesmo em velocidade. O mesmo acontece com a suspensão, que absorve bem as irregularidades do piso.

Fora do Arizona Test Center, nas estradas do Arizona e ruas de Scottsdale, foi a vez de perceber um dos pontos altos do Altima – o conforto. A serenidade dinâmica proporcionada pelo conjunto motor/CVT chega a impressionar. A suspensão multilink traseira e os amortecedores da ZF Sachs são os mesmos fornecidos para modelos Infiniti. Os amortecedores utilizam válvulas para controlar a aspereza e ressaltos. O resultado de todas as diversas tecnologias oferecida no Altima é um automóvel daqueles que jamais estressam desnecessariamente o motorista. Seja em agradáveis estradas vazias ou nos tediosos engarrafamentos cotidianos.

 

Ficha Técnica

Nissan Altima SL 2.5

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 2.488 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio continuamente variável CVT de relações infinitas. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 182 cv a 6 mil rpm.

Torque máximo: 24,9 kgfm a 4 mil rpm.

Diâmetro e curso: 89,0 mm x 100,0 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo Multilink, com molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 215/55 R17.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e quatro lugares. 4,86 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,47 m de altura e 2,77 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.

Peso: 1.445 kg.

Capacidade do porta-malas: 436 litros.

Tanque de combustível: 68 litros.

Produção: Smyrna, Tennessee, Estados Unidos.

Lançamento mundial: 2012.

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