Testamos o novo Nissan Sentra SL!

Novo Sentra SL quer visibilidade no segmento dos sedãs médios no Brasil
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Novo Nissan Sentra encara a difícil missão de ganhar visibilidade no congestionado segmento de sedãs médios no Brasil

 Nissan Sentra SL

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

Auto Press

Fotos externas: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

Fotos de interior: divulgação

Nos últimos anos, os sedãs médios viraram o grande assunto do mercado brasileiro. Lançada em 2012, a nona geração do Honda Civic assumiu a liderança do segmento e deixou para trás o rival ancestral, o Toyota Corolla, que teve sua décima geração renovada em 2011 – o novo Corolla brasileiro é previsto para o início de 2014. Atrás deles no ranking estão o Chevrolet Cruze e o Renault Fluence, ambos lançados em 2011. Também da “safra” de 2011, mas com menor expressão de vendas, Hyundai Elantra, Peugeot 408, Volkswagen Jetta e Mitsubishi Lancer brigam pelo mesmo público. Em 2013, depois do novo Kia Cerato, apresentado em abril, a última novidade entre os sedãs médios foi o Citroën C4 Lounge, que acaba de surgir nas vitrines. E a próxima será o novo Ford Focus, que chega em outubro. Em meio a um segmento repleto de modelos com no máximo dois anos de existência, o visual do Sentra de sexta geração, apresentado em 2007, parecia indisfarçavelmente anacrônico. Para resolver isso, a sétima geração do sedã médio da Nissan, lançada em novembro do ano passado no mercado norte-americano, desembarca no Brasil em outubro.

Nissan Sentra SL2sentraEm termos estéticos, a transformação do Sentra foi expressiva. O modelo produzido no México manteve a altura, mas cresceu 7 cm no comprimento e 3 cm na largura. Na frente, os datados faróis quadrados deram lugar aos de leds, com formato que remete a um bumerangue. Estão separados pela ampla grade trapezoidal com três lâminas, que abriga a logomarca redonda da Nissan. Capô e paralamas estão mais encorpados e ajudam a dar um aspecto robusto ao conjunto. De perfil, destacam-se o forte vinco lateral, que define a linha de cintura, e também o elegante caimento do teto na traseira, em forma de parábola. Atrás, as lanternas de leds também lembram bumerangues e invadem a tampa do porta-malas, que é bem ressaltada. Uma larga faixa cromada forma uma “ponte” entre os conjuntos óticos e separa a placa do carro da logomarca traseira.

Nissan Sentra SL

O entre-eixos também foi ampliado – cresceu dois centímetros e agora são 2,70 metros – para privilegiar o conforto, um atributo muito valorizado no segmento. Por dentro, além de espaços bem mais generosos em todas as dimensões, chama a atenção a evolução no design e no padrão dos revestimentos, mais sofisticados que os da geração anterior.

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Por fora e por dentro, o Sentra mudou bastante. Mas o propulsor que virá para o Brasil continua o mesmo 2.0 flex, apresentado em 2009 e também “emprestado” ao Fluence – a Renault e a Nissan tem desde 1999 uma parceria estratégica global. Só recebeu alguns “upgrades”. Com 140 cavalos de potência e torque de 20 kgfm, ganhou alterações no cabeçote e na cabeça dos pistões, além de nova calibração na injeção. Outra novidade é a incorporação do sistema de partida a frio Flex Start, que elimina o “tanquinho” da gasolina, comum aos modelos flex mais antigos. As mudanças fizeram o motor flex perder 3 cv e 0,3 kgfm em relação à geração anterior. Mas a Nissan garante que o motor manteve a performance e melhorou o consumo – tanto que as versões com câmbio manual e com CVT obtiveram nota “A” dentro de sua categoria no Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro. O câmbio da versão “top” ainda é o continuamente variável denominado XTronic CVT, mas agora é de última geração. Segundo a Nissan, 60% dos componentes são novos, a nova transmissão está 13% mais leve e produz 40% menos atrito que o da geração anterior. A versão de entrada terá uma caixa manual de seis velocidades.

Nissan Sentra SL

Apesar do mercado disputado, as expectativas da Nissan para o novo Sentra passam longe do pessimismo. “Imaginamos vender acima de 1.500 unidades mensais”, afirma, sem medo de arriscar, Carlos Murilo Moreno, diretor de Marketing da Nissan do Brasil. Seria quase o dobro da média do melhor ano da história do sedã mexicano no Brasil – 2011, quando foram comercializados 874 unidades por mês. A evolução do custo/benefício pode ajudar a explicar tanta expectativa. Quando foi lançado o Sentra com motor 2.0 flex, há exatos quatro anos, a versão SL com CVT do modelo anterior era oferecida por R$ 72.990. Exatos R$ 1 mil a mais que a versão “top” atual, que incorpora diversos equipamentos – ar-condicionado dual zone, chave presencial I-Key, ignição por botão, sensor crepuscular, câmara de ré e rádio/CD/MP3/USB/Aux/Bluetooth com tela de 5,8 polegadas – e já é oferecida em pré-vendas, para clientes cadastrados pela marca, por R$ 71.990. Talvez a concorrência acirrada tenha feito bem à Nissan e ao Sentra.

Nissan Sentra SL

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Ponto a ponto

Desempenho – Na versão avaliada, vendida no mercado norte-americano, o motor  era um 1.8 litro a gasolina de 130 cv e 17,7 kgfm – a que virá para o Brasil será movida por um 2.0 flex de 140 cv e 20 kgfm. Ou seja, o modelo que chegará ao mercado brasileiro deve ser mais “esperto”. Não que o Sentra 1.8 a gasolina seja bobo. Pelo contrário. Em parceria com o câmbio de relações continuamente variáveis CVT, dá conta de mover o sedã de sem dar sinais de fadiga. Mas o Sentra não é um carro que instigue acelerações fortes. O ato de pisar vigorosamente no acelerador não resulta em reações vertiginosas, mas em um ganho de velocidade progressivo, que transmite serenidade ao motorista. Nota 8.

Estabilidade – O novo Sentra é um sedã com foco no conforto e traz um ajuste de suspensão macio. Mas o conjunto oferece um comportamento decente nas curvas em alta. Nas freadas, o sedã também se revelou bem sóbrio e equilibrado. Nota 8.

Interatividade – Os ajustes de banco são práticos, mas o da direção dá um pouco de trabalho. O volante tem boa pegada e o posicionamento dos comandos segue um padrão lógico. A visibilidade frontal e a retrovisão são corretas e o painel de instrumentos também permite boa visualização. A direção com assistência elétrica oferece precisão nas manobras em altas velocidades e economiza esforço do motorista na hora de estacionar o veículo. Nota 8.

Consumo – Foi divulgada em janeiro pelo InMetro uma tabela de consumos médios de carros. Nela, o Sentra SL com motor 2.0 litros e transmissão CVT registra um consumo médio de 6,9 km/l na cidade e de 9,1 km/l na estrada com etanol e de 10,2 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada com gasolina. Números que renderam nota “A” dentro de sua categoria e “C” no geral. Nota 8.

Conforto – Com o crescimento no comprimento, largura e entreeixos do modelo, cria-se a percepção de que o espaço se ampliou consideravelmente. Quatro pessoas viajam bem, com boa área para joelhos e cabeça. Um quinto elemento comprometeria um pouco o conforto na traseira, embora o túnel central seja baixo, o que melhora a área para as pernas de um eventual ocupante do centro do banco traseiro. Com a adoção de amortecedores de alta resposta, a suspensão tornou-se mais eficiente e o isolamento acústico também – a Nissan afirma que foi utilizado um material fonoabsorvente mais robusto. Tal providência ameniza um pouco o alto nível de ruído do motor, comum aos carros com câmbio CVT. A climatização oferecida pelo novo ar-condicionado dual-zone é eficaz. Nota 8.

Tecnologia – O novo Sentra incorpora sistemas como chave presencial I-Key, ignição por botão, sensor crepuscular, câmara de ré e rádio/CD/MP3/USB/Aux/Bluetooth/GPS com tela de 5,8 polegadas. A plataforma é moderna, de 2012, mas o motor é o mesmo apresentado em 2009, com aperfeiçoamentos. O câmbio continuamente variável XTronic CVT é bastante eficiente. E é um interessante diferencial tecnológico em relação à concorrência. Nota 8.

Habitabilidade – Há um razoável número de porta-objetos no interior do Sentra. Os espaços para os passageiros dos bancos frontais e traseiros e os acessos a eles são corretos. O porta-malas leva bons 503 litros – o modelo anterior levava 442 litros. Nota 7.

Acabamento – O interior do novo Sentra SL traz um acabamento de padrão mais elevado que o do modelo antigo, com materiais agradáveis ao tato. A qualidade da montagem evoluiu. Na versão avaliada havia um excessivo uso de madeiras no console e painel, um revestimento bem ao gosto do consumidor norte-americano, mas que normalmente é evitado nos modelos exportados para o Brasil, onde a madeira deverá dar lugar a apliques metálicos. Volante e bancos são revestidos de couro de bom aspecto. Nota 8.

Design – O atual conjunto não chega a ser inovador – em alguns aspectos lembra o do compacto Versa – e preserva a sobriedade típica dos automóveis japoneses atuais. O que pode até ser favorável à Nissan, que ainda luta para ser reconhecida no Brasil como marca japonesa – preocupação ressaltada em todas as campanhas publicitárias da empresa. Mas a “nova cara” do Sentra sem dúvida incorpora uma necessária dose de contemporaneidade. Nota 7.

Custo/benefício – É uma das apostas da Nissan para embalar as vendas do Sentra. A versão “top” SL com câmbio CVT está sendo oferecida no mercado nacional por R$ 71.990. O valor fica abaixo da versão intermediária 2.0 LXR automática do Civic, que sai por R$ 74.290. Iguala o preço do Corolla intermediário 2.0 XEi automático, que está em final de linha, e do Kia Cerato automático, que tem motor 1.6. Ou seja, R$ 71.990 pode ser um valor que incomode a concorrência. A chegada das versões mais básicas e acessíveis certamente irá ajudar nas vendas da linha. Nota 7.

Total – O novo Nissan Sentra SL somou 77 pontos em 100 possíveis.

 

Primeiras impressões

Newport/Califórnia/Estados Unidos – A Nissan aproveitou o evento “Nissan 360”, comemorativo dos seus 80 anos e realizado na Califórnia, para apresentar à imprensa especializada de 160 países um total de 64 modelos produzidos pelas três marcas do Grupo – Nissan, Infiniti e Datsun. Entre eles estava o novo Sentra. O exemplar disponível era com a versão de acabamento “top” SL – a mesma que virá para o Brasil – e câmbio CVT, equipado com rodas aro 17. O motor era um 1.8 a gasolina que atende ao mercado norte-americano, diferente do 2.0 flex utilizado no mercado brasileiro, que terá 7,7% a mais de potência e 13% a mais de torque – respectivamente 140 cv e 20 kgfm.

O novo Sentra é outro carro. Por fora, já deixa claro que o ar “vintage” da geração anterior ficou para trás. Apesar dessa ampla renovação, há uma boa notícia para os fãs dos câmbios continuamente variáveis CVT.  A Nissan é uma das poucas marcas que continua investindo na tecnologia – a maioria das concorrentes opta por câmbios automáticos convencionais, alguns com seis marchas. Na transmissão CVT, com nova relação de transmissão, basta selecionar o D e acelerar que o sistema faz o resto, sem trancos. Não há a opção de simulação de engate manual de marchas, como ocorre em alguns câmbios similares. Em relação ao modelo anterior, o carro se mostra mais refinado e suave. Apesar de maior, está cerca de 70 kg mais leve, graças à adoção do novos materiais.

Numa tocada mais esportiva, o motor se estabiliza num giro elevado – em torno dos 6 mil –, o que gera o aumento do nível do ruído. Nada que chegue a ser demasiadamente incômodo, ainda mais no modelo atual, onde a Nissan aperfeiçoou o isolamento acústico. É possível escolher entre os modos de condução esportiva ou econômica, através das teclas situadas no painel. Na esportiva, a rotação um pouco mais elevada privilegia a performance dinâmica. Na econômica, as transições se tornam mais lentas, para otimizar o consumo. O conjunto suspensivo é bem resolvido e ajuda a manter a viagem agradável. Se não chega a ser um sedã que instigue acelerações fortes, o novo Sentra certamente oferece uma mobilidade confortável

 

Nissan Sentra SL

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.798 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial. A versão vendida no Brasil terá um motor 2.0 16V flex.

Transmissão: Câmbio automático continuamente variável à frente (CVT) e marcha a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.

Potência máxima: 130 cv a 6 mil rpm. A vendida no Brasil atingirá 140 cv.

Torque máximo: 17,7 kgfm a 3.600 rpm. A vendida no Brasil atingirá 20 kgfm.

Diâmetro e curso: 79,7 mm X 90,1 mm. Taxa de compressão: 9,9:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira dependente por barra torção e barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.

Freios: Discos ventilados na dianteira e tambor na traseira.

Pneus: 205/50 R17.

Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e quatro lugares. Com 4,63 metros de comprimento, 1,76 metro de largura, 1,51 metro de altura e 2,70 metros de entre-eixos. Oferece airbags duplos de série.

Peso: 1.272 kg.

Capacidade do porta-malas: 503 litros.

Tanque de combustível: 52 litros.

Produção: Aguascalientes, México.

Itens de série:

Bancos de couro, volante multifuncional, computador de bordo, ar-condicionado automático de duas zonas, teto solar, sensor crepuscular, keyless, câmara de ré, rádio/CD/MP3/USB/Aux/Bluetooth/GPS com tela de 5,8 polegadas.

Preço: R$ 71.990.

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