Testamos o Toyota RAV4 2.0 4X2!

Preço põe Toyota RAV4 2.0 4X2 na briga dos utilitários médios
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por Rodrigo Machado

Auto Press

Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

A Toyota, finalmente, abriu os olhos. A geração anterior do utilitário esportivo médio RAV4 começou sendo vendida apenas com tração integral e valor nas alturas. E não conquistou muitos fãs. Depois, para esquentar as vendas, chegou uma versão 4X2. Só que, quando o negócio começava a decolar, o super IPI para carros importados elevou o preço do SUV para um patamar impraticável – chegou a ser mais de R$ 20 mil mais caro que os rivais. Eis que em maio chegou a nova RAV4 – na verdade, uma grande reformulação. E com ela, uma nova configuração de entrada. Com motor 2.0, câmbio CVT e tração dianteira, o utilitário passou a ter preço para brigar com os concorrentes mais fortes.

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Para se ter noção de como a RAV4 ganhou competitividade, basta comparar a tabela das duas gerações. A antiga tinha duas versões, sempre com motor 2.4, e variava entre R$ 110 mil e R$ 127 mil. A nova ainda tem configurações caras –  a top custa R$ 119.900. Porém, a variante básica fica por R$ 96.900. Bem no miolo do segmento.

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Essa queda de preço teve duas razões básicas. A primeira é a  inclusão da Toyota no Inovar-Auto, o que criou uma cota de importação sem os 30% extras do IPI que incidiam sobre o modelo anterior. Agora, o SUV divide essa cota com o sedã Camry e o híbrido Prius, dois veículos de imagem e com volumes de venda bem inferiores.

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O outro motivo tem relação direta com a nova mecânica do modelo. A Toyota optou por usar nas versões mais baratas um motor 2.0, que recolhe menos IPI que o antigo 2.4. Nesse caso, a marca trocou o desempenho por um preço menor. E é uma escolha lógica. No segmento de utilitários médios, vale mais o apelo mercadológico do que o esportivo. Agora, a RAV4 está mais pacata. O propulsor gera 145 cv e 19,1 kgfm de torque e é aliado a uma transmissão CVT. Na versão topo, a proposta mais “agressiva” do modelo anterior se manteve. O motor 2.4 evoluiu – agora é um 2.5 – e saiu dos 170 para 179 cv. Com ele, o câmbio é um tradicional automático de seis marchas.

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O resto do carro mudou menos em relação ao anterior. A Toyota trata essa como nova geração, mas na verdade é um aperfeiçoamento. A plataforma é a mesma e manteve as dimensões básicas, como distância entre-eixos e altura. O comprimento diminuiu em 3 cm por causa da nova colocação do estepe, agora no assoalho do porta-malas e a largura cresceu em 4 cm. O design está bem diferente, com linhas mais atuais que refletem a atual identidade visual da marca, explicitada pela grade dianteira que praticamente “embute” os faróis.

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Essa versão básica não traz quase nada além do mínimo exigido pelo segmento. Há apenas ar-condicionado manual, rádio com Bluetooth, computador de bordo, rodas de 17 polegadas, airbag duplo, ABS e sensor de estacionamento traseiro. Luxos como GPS, tela sensível ao toque, camâra de ré ou revestimento interno de couro ficam restritos à configuração intermediária – que custa R$ 109.900 e agrega também a tração integral sob demanda.

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A expectativa da Toyota no lançamento do carro era dobrar a média de vendas. Ou seja, pular de 400 unidades mensais para 800. Depois de dois meses no mercado, a projeção da empresa ainda não foi alcançada. Por enquanto, a média mensal é de 500 carros. Ainda não é suficiente para encostar nos compatriotas Honda CR-V e Mitsubishi ASX – em agosto, o RAV4 foi o sexto utilitário médio mais vendido. Ainda assim, é o melhor desempenho do modelo da Toyota no mercado brasileiro.

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Ponto a ponto

Desempenho – A versão de entrada da RAV4 traz um desempenho bem comedido. O motor 2.0 de 145 cv é competente, mas não chega a fornecer acelerações e retomadas acima da média. Nessa proposta, o câmbio CVT de infinitas relações, se encaixa muito bem. Ele transforma a condução do utilitário em um passeio confortável e tranquilo. Nota 7.

Estabilidade – Apesar das dimensões avantajadas, o RAV4 é um SUV de boa capacidade dinâmica. A suspensão é ligeiramente rígida e segura o carro nas curvas, sem grandes rolagens de carroceria. A estrutura toda torce pouco e fornece boa rigidez. A neutralidade é constante também nas retas e mesmo em altas velocidades. Nota 8.

Interatividade – O RAV4 é um carro “justo”. Os comandos básicos ficam em lugares óbvios e são intuivivos. Não há qualquer tentativa de reinventar as soluções. O resto, no entanto, decepciona. Para um carro de quase R$ 100 mil, os recursos são excessivamente simplórios. Nota 7.

Consumo – A tabela oficial do InMetro ainda não traz os resultados da RAV4. Durante o lançamento do modelo em maio, a Toyota garantiu que a versão 2.0 faz 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na cidade. Médias que garantiriam nota “A” no segmento e “C” no geral. Nota 7.

Conforto – A silhueta um tanto “quadrada” transforma a RAV em um carro com um interior bem espaçoso. Cinco adultos viajam sem qualquer aperto. A suspensão é rígida para segurar o carro nas mudanças de direção. Para compensar, a Toyota usou pneus de perfil alto que cumprem a tarefa de absorver as imperfeições do piso. Os bancos de tecido são confortáveis e fornecem bom apoio aos ocupantes. Nota 8.

Tecnologia – A Toyota não chegou a fazer uma completa reengenharia da RAV4. Simplesmente aprimirou o conjunto com novos aços na construção e renovação dos motores. O que ainda deixa a desejar é o recheio. A versão de entrada traz um sistema de som de carro popular e não há opção de controle de estabilidade nem na configuração mais cara. E é o tipo de recurso praticamente obrigatório no segmento. Nota 7.

Habitabilidade – O design simples do interior criou uma cabine bem “usável”. Como não há grandes invenções estéticas, há bastante espaço para objetos espaço para se movimentar. Entrar e sair do utilitário também não é complicado. O porta-malas é grande – a Toyota não divulga a capacidade até a linha das janelas, mas fica em torno de 500 litros. Com os bancos rebatidos, a capacidade sobe para imensos 2.078 litros com bagagem até o teto. Nota 8.

Acabamento – O RAV4 segue bem o padrão japones no interior. Ou seja, muita funcionalidade e pouca criatividade. O design horizontalizado é até bonito, mas um tanto banal. Os materiais usados também são excessivamente espartanos. Os encaixes, no entanto, são precisos e não há rebarbas aparentes. Nota 7.

Design – O novo RAV4 ficou mais moderno e agora passa a impressão de ser maior. As mudanças melhoraram o aspecto geral do carro. Contudo ele ainda mantém um aspecto conservador, sem grandes ousadias. Mesmo assim, é um estilo que inegavelmente tem seus seguidores. Nota 7.

Custo/benefício – Em termos puramente financeiros, o RAV4 fica posicionado na média do segmento. O conjunto é competente e fornece a já conhecida qualidade japonesa. O problema é a lista de equipamentos, muito avarenta para um carro de R$ 96.900. Ao menos, na comparação com a geração anterior, é um avanço em termos de competitividade no mercado. Nota 6.

Total – O Toyota RAV4 2.0 4X2 somou 72 pontos em 100 possveis.

 

Impressões ao dirigir

O segmento de utilitários é dos mais “cosmopolitas” do mercado nacional. Há opções tipicamente alemãs, norte-americanas, francesas, coreanas e japonesas. E se tem um modelo que representa bem a maneira de fazer carros em seu país é a RAV4. E assim como quase todos os Toyota, ele eleva a dose de pragmatismo ao extremo. A RAV4 é um carro muito competente, mas que, em nenhum momento surpreende o motorista. O desenho é a primeira prova disso. É bem resolvido e até harmônico. Mas carece de charme.

Sensação semelhante acontece na cabine. Nesse caso, o desenho até agrada bastante, com linhas modernas e bom gosto. Porém, os materiais usados são simples demais. De resto, o interior da RAV4 é bem adaptado para famílias grandes. O espaço interno é excelente e cinco adultos vão sem qualquer tipo de aperto.

Andar no RAV4 traz à tona a ideia de que um carro não é mais que uma ferramenta de locomoção. O motor 2.0 é bom, com torque em giros médios e força suficiente para dar ao SUV um desempenho condizente com sua proposta. Mas não sai muito disso. A transmissão CVT ajuda a dar conforto e a anestesiar ainda mais a relação entre homem e máquina.

Nas curvas, a história até melhora um pouco. A suspensão é ligeiramente dura para poder manter o utilitário sempre com aderência. E dá certo. Mesmo grande, a RAV4 cola bem no chão e nunca faz menção de desgarrar. Só que, mais uma vez, não há qualquer estímulo de impor uma tocada mais agressiva. O RAV4 é um carro que beneficia quem o usa de maneira pacata e sem exageros. Mostra muita qualidade e é um utilitário confortável e tranquilo. Mas oferece pouca coisa além disso.

 

Ficha técnica

Toyota RAV4 2.0 4X2

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.987 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e duplo comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Automática do tipo CVT com sete relações pré-determinadas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não possui controle de tração.

Potência: 145 cv a 6.200 rpm.

Torque: 19,1 kgfm a 3.600 rpm.

Diâmetro e curso: 80,5 mm X 97,6 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barras estabilizadoras. Traseira independente de triângulos sobrepostos com barra estabilizadora. Não possui controle de estabilidade.

Peso: 1.525 kg.

Pneus: 225/65 R17.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. ABS de série.

Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,57 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,72 m de altura e 2,66 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.

Capacidade do porta-malas: 1.087 litros até o teto ou 2.078 litros com os bancos rebaixados e até o teto.

Tanque de combustível: 60 litros.

Produção: Aichi, Japão.

Itens de série: Ar-condicionado manual, rádio/CD/MP3/Bluetooth, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bipartido, computador de bordo, volante multifuncional revestido em couro, trio elétrico, barras longitudinais no teto, rodas de liga leve de 17 polegadas, airbags frontais, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro e ABS com EBD e BAS.

Preço: R$ 96.900.

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