Teste do novo Chevrolet Prisma

O design do Prisma é todo derivado do Onix
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Teste: O sedã Prisma vende bem e ajuda a Chevrolet a alcançar o segundo lugar em vendas

por Rodrigo Machado

Auto Press

Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

 

A história é até óbvia. Para uma marca crescer no mercado é preciso ter produtos novos e competentes. Mas a GM demorou para agir. A empresa norte-americana sofreu fortes abalos com a crise financeira de 2008. Resultado: ficou anos sem grandes investimentos – ou seja, novidades – em sua linha brasileira até que a matriz pudesse se reestruturar. Mas quando voltou a se movimentar, mudou quase tudo. Uma rápida olhada na gama atual da Chevrolet revela 10 modelos novos lançados do final de 2011 para cá. A ampla renovação finalizou em fevereiro passado com a nova geração do Prisma, sedã compacto feito na base do Onix. Mesmo com pouco tempo nas lojas, já foi o terceiro carro mais vendido da marca em maio. E deu uma contribuição essencial para que a Chevrolet abocanhasse o segundo lugar no mercado nacional no último mês, à frente da Volkswagen.

A participação do Prisma nesse desempenho de mercado foi fundamental. Representou 10,3% das vendas da marca no mês, ou 5.537 unidades em um total de 53.809. Em relação aos concorrentes diretos, o novo modelo também se saiu bem. Foi o quarto sedã mais vendido do mês, atrás de Fiat Siena, Volkswagen Voyage e Chevrolet Classic, todos com versões bem mais baratas. E vendeu 27% mais que o Hyundai HB20S, um dos principais rivais, que teve 4.363 emplacamentos. Só que a GM acredita que o carrinho ainda tem potencial para crescer. A previsão da montadora é chegar a 6 mil por mês.

A proposta da Chevrolet para este bom desempenho inicial passa por uma renovação ampla do Prisma. Do modelo antigo, só ficou o nome e o segmento em que atua, de compactos. A plataforma é a GSV – global small vehicles, pequenos veículos globais –, a mesma que serve de base para Onix, Cobalt, Sonic e Spin, e permitiu um aumento no porte do sedã. Ele ficou 16 cm mais comprido, 7 cm mais largo e com entre-eixos 9 cm maior, além de carregar 61 litros a mais no porta-malas. O monobloco mais moderno também fez do novo Prisma um carro 25% mais rígido que o antigo.

O design é todo derivado do Onix. A dianteira, por exemplo, é idêntica, marcada pela grade bipartida e os faróis bem afilados. Na tentativa de diferenciar o Prisma do conservador Cobalt – maior e mais caro –, a equipe da Chevrolet buscou valorizar a esportividade – a propaganda até cita o “novíssimo” subsegmento sport sedã. Por isso, o caimento do teto é acentuado e o terceiro volume, o do porta-malas, é bem curto.

O conteúdo é outro item que evoluiu drasticamente na troca de geração. O modelo de entrada, o testado LT 1.0, traz airbag duplo, ABS, direção hidráulica, vidros elétricos e até sensor de estacionamento traseiro. Como opcionais, apenas o ar-condicionado e o sistema de entretenimento My Link com tela sensível ao toque de sete polegadas. Básico, ele custa R$ 35.390, valor que atinge os R$ 38.890 quando completo. A mesma versão LT com o motor 1.4 agrega faróis azulados com máscara negra e rodas de aço de 15 polegadas por R$ 39.490. Na mais equipada, a LTZ, o Prisma ainda recebe ar-condicionado, faróis de neblina, computador de bordo, My Link, trio elétrico e rodas de alumínio por R$ 46.490. Os valores são cerca de 10% maiores que nas respectivas versões do Onix.

A modernidade da plataforma, do design e dos equipamentos do novo Prisma não é acompanhada pela oferta de motores. Tanto o 1.0 quanto o 1.4 são derivados do antigo Família 1, inaugurado no Corsa há quase duas décadas. E embora tenham recebido várias atualizações neste meio tempo, se ressente pelo peso dos anos. A modificação mais recente, no final do ano passado, trouxe novas peças no interior que diminuíram o atrito interno e possibilitaram um ligeiro aumento de força. No 1.0, a potência subiu de 78 para 80 cv e no 1.4 de 97, sempre com etanol, para 106 cv. A antiquada motorização, aliás, é um dos únicos pontos que podem frear o sucesso imediato do novo Prisma.

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor sofre para mover o pequeno Prisma, que tem pouco mais de mil quilos. Não só pela paciência exigida por todo dono de sedã 1.0, mas porque ele é especialmente lento nas acelerações e retomadas quando confrontado com os rivais diretos. Em situações de trânsito lento ou depois de atingir faixas de giro mais altas, não há muitos problemas. Mas no intervalos entre as duas, a sua limitação fica clara. Ao menos, a transmissão é bem escalonada e os engates são suaves. Nota 6.

Estabilidade – Assim como o Onix, hatch em que é baseado, o Prisma é um carro muito equilibrado dinamicamente. Há precisão e segurança em quase todas as manobras. Nas curvas, a carroceria rola lateralmente, mas a alta rigidez torcional e boa aderência mantêm a dirigibilidade. Nota 8.

Interatividade – O Prima herda do Onix a posição de condução mais elevada, que dá melhor visualização do trânsito. Por dentro, o uso do sedã é descomplicado. Os comandos principais são simples de usar, assim como a visualização do painel de instrumentos. Sente-se falta, no entanto, de um computador de bordo. Por outro lado, a presença do sensor de estacionamento como item de série é bem-vindo. A unidade testada estava equipada com o My Link, opcional de R$ 1.300. O equipamento também se destaca em relação ao que é oferecido na concorrência, com tela sensível ao toque de sete polegadas, muita conectividade e diversas funções. Nota 9.

Consumo – A Chevrolet não cedeu nenhum modelo para testes do InMetro e não há computador de bordo para mensurar o consumo. Mas os números obtidos nas medições durante o teste, feito basicamente em trajetos urbanos, com muitas vias expressas e trechos de rodovia, mostrou que o motor 1.0 não é dos mais beberrões. Fez 10,5 km/l com gasolina. Nota 8.

Conforto – A proposta do Prisma não é ser um sedã compacto de entre-eixos alongado, como o Cobalt. Ainda assim, fornece bastante espaço interno. Dá para dois adultos se acomodarem sem grandes problemas. Os bancos dianteiros têm ajustes laterais e seguram os corpos nas curvas com competência. A suspensão faz bem o seu papel de absorver a buraqueira. Nota 8.

Tecnologia – A parte mecânica do Prisma tem dois lados. O trem de força deixa a desejar, com um motor 1.0 de concepção antiga e faixa de uso pouco efetiva no cotidiano. Já a plataforma e suspensão são modernas e eficientes. A lista de itens de série também agrada, com destaque para airbag duplo, direção hidráulica, trio elétrico e sensor de estacionamento traseiro. Ar-condicionado e My Link aparecem como opcionais quase obrigatórios. Nota 8.

Habitabilidade – A quantidade de porta-trecos no interior do Prisma realmente chama atenção. Existem diversos lugares para guardar todo tipo de quinquilharia. O grande diferencial em relação ao Onix é o porta-malas de 500 litros, que fica na média do segmento. Nota 7.

Acabamento – A Chevrolet procurou fazer o básico no interior do Prisma. O desenho é bonito, mas quase tudo é revestido de plástico rígido. O único pedaço que recebe tecido é o descanso de braço na porta. Nota 6.

Design – O Prisma é o sedã com desenho mais agressivo da Chevrolet atualmente. Principalmente no caimento do teto em direção à traseira que cria um terceiro volume bem discreto. É um design bem-resolvido frente a uma concorrência muitas vezes conservadora. Nota 8.

Custo/benefício – Para tentar distanciar o Prisma do Classic, o sedã de entrada da linha, a Chevrolet precisa cobrar relativamente caro pelo seu modelo. O Prisma 1.0 LT completo, com ar e My Link, sai a R$ 38.890. Basicamente o mesmo valor do HB20S 1.0, que sai por R$ 38.995 já com ar e som. Entre os modelos mais antigos no mercado, o  Volkswagen Voyage 1.0 com equipamentos semelhantes fica em R$ 37.998. Seja como for, dar quase R$ 40 mil em um sedã compacto com propulsor 1.0 não é propriamente uma barganha. Nota 6.

Total – O Chevrolet Prisma 1.0 LT somou 74 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Criar alguma relação entre o Prisma antigo e o novo é mais um exercício de imaginação do que de observação. A nova geração do sedã compacto não tem quase nada em comum com o modelo anterior. O visual, por exemplo, é bem mais inspirado e acertado. O mesmo acontece com a cabine. Sai aquele visual simplório e com ergonomia precária para algo bem melhor pensado. A posição de dirigir é “altinha”, o que dá uma visão melhor do trânsito. E, diferentemente do sedã derivado do Celta, o novo veículo, feito na base do Onix, não tem volante torto ou outra falha grave em termos de interação com o motorista. Os bancos têm apoios laterais e de coxas e não cansam mesmo depois de longos períodos na direção. Nesta versão de entrada LT, faltam retrovisores elétricos e botões para comando do rádio no volante.

A ausência do volante multifuncional, aliás, evidencia um problema no ótimo sistema My Link. Como não há nenhum botão fixo, efetuar qualquer ação no rádio requer tirar os olhos e a atenção da rua. No resto, a única falha do interior é no puxador da porta, que fica longe da maçaneta. O acabamento também evoluiu consideravelmente. Não que tenha ficado acima da média – só há tecido no apoio de braço da porta, por exemplo –, mas é vistoso e tem encaixes certeiros.

Em movimento, o Prisma 1.0 é discrepante. O motor 1.0, que ganhou apenas uma atualização na troca de geração, sofre para mover o sedã de 1.031 kg. As relações mais curtas e as próprias agradáveis trocas do câmbio até amenizam o desempenho um tanto letárgico do modelo. Mas não chegam a mascarar a falta de força do Prisma. Basta encarar uma subida para perceber que o propulsor é pequeno demais para a aplicação.

O comportamento dinâmico, por outro lado, é bem melhor. A direção é precisa e acertada para a proposta. Assim como a suspensão, que consegue fazer um meio termo entre segurar o carro nas curvas e manter uma aceitável dose de conforto no interior.

 

Ficha técnica

Chevrolet Prisma 1.0 LT

Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 999 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.

Potência máxima: 80 e 78 cv a 6.400 rpm com etanol e gasolina.

Torque máximo: 9,8 e 9,5 kgfm a 5.200 rpm com etanol e gasolina.

Aceleração de 0 a 100 km/h: 12,7 e 13,0 segundos com etanol e gasolina.

Velocidade máxima: 173 e 169 km/h com etanol e gasolina.

Diâmetro e curso: 71,1 mm X 62,9 mm. Taxa de compressão: 12,6:1.

Pneus: 185/70 R14.

Peso: 1.031 kg.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais com carga lateral, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos.

Freios: Discos na frente e tambor atrás. ABS de série.

Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,28 metros de comprimento, 1,71 m de largura, 1,49 m de altura e 2,53 m de distância entre-eixos. Oferece airbag duplo de série.

Capacidade do porta-malas: 500 litros.

Tanque de combustível: 54 litros.

Produção: Gravataí, Rio Grande do Sul.

Itens de série: Airbag duplo, ABS com EBD, ajuste de altura do banco do motorista, direção hidráulica, sensor de estacionamento traseiro, travamento automático das portas, faróis com follow me home, vidros dianteiros elétricos, abertura remota do porta-malas, coluna de direção com regulagem em altura e rodas de aço de 14 polegadas.

Preço: R$ 34.990.

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